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VC#11 Sentido-se só no exterior?


O episódio dessa semana está saindo em meio à quarentena devido ao coronavírus. Dado esse momento peculiar em nossa sociedade, eu queria compartilhar um pouquinho de como foi para mim morar sozinha e viajar sozinha em 2017.

No ano de 2017, eu era estudante de um programa de dupla-diplomação na França. Eu tinha que cumprir 60 ECTS (créditos europeus) para me graduar pela faculdade francesa e acabei cumprindo mais créditos do que o necessário no primeiro semestre. Após as férias de verão, quando fui me matricular para o segundo semestre, descobri que aquele número não era o mínimo de créditos, mas também o máximo que poderia cumprir, por isso não estavam liberando minha matrícula para o próximo semestre.

A partir daí, começou um processo falar com minha coordenação aqui no Brasil e falar com a coordenação de lá e, nesse meio tempo, estava eu lá, sozinha no meu apartamento e sem aulas para cumprir.

Parece uma vida super fácil, mas para quem já esteve sozinho no exterior – depois que seus amigos voltaram para seus respectivos países - sabe que não é simples assim estar só e longe da cultura que conhece.

Como essa fase se assemelha com o que estrangeiros estão passando nesse momento de isolamento, eu queria compartilhar como mantive minha sanidade mental enquanto estive no limbo de fazer ou não aulas.

Minha primeira dica é: esse é o momento de aproveitar a distância e se conectar com estrangeiros. Eu sei, às vezes eles podem parecer fechados e a conexão pode não ser tão fácil quanto com seus amigos no Brasil. Mas use isso como uma oportunidade. No caso, eu não estava em isolamento, então me envolvi em diversas programações da igreja, todos os encontros que rolavam durante a semana e todas as viagens que tiveram, como por exemplo o Encontro Nacional de Jovens da Convenção Batista.

Apesar de o cenário de isolamento ser diferente, aproveite para procurar os grupos encontros online de grupos de afinidade (igreja, música, artes, esportes...). É até mais fácil de entrar num grupo online do que num grupo físico. Especialmente, se envolva nos grupos que se encontram por meio de aplicativos como Hangouts e Zoom, onde você pode conversar com as pessoas e não apenas ouvir.

Segundo ponto: você precisa de atividade física para manter o humor. E estar em casa não é desculpa. Durante minha estadia na França, achei extremamente difícil achar um clube esportivo para adultos. Não sabia como me inscrever e me parecia que, tirando as atividades da faculdade, todos os outros times eram infantis. Então baixe um aplicativo como o Nike Training e se inscreva em um dos planos gratuitos. Foi como me exercitei em 2017 e ainda é minha principal "academia" por assim dizer.

Outra coisa que eu fazia bastante era ir caminhar nos parques – que estão em todos os bairros franceses. Está aí uma coisa da qual sinto falta no Brasil! Em cada bairro lá, tinha um parque e um centro com os principais comércios necessários: mercado, caixa eletrônico e padaria. Aproveite para andar pelo bairro e se possível por parques, onde o ar puro te dará um ânimo. Leve um bom livro ou escute sua playlist preferida do Spotify.

Uma outra dica é se envolver nos grupos de estrangeiros no país em que você está. Eu não cheguei a frequentar os encontros na França, mas tenho amigos que foram e gostaram de participar. É uma boa forma de conhecer outras pessoas que estão passando pelo mesmo que você. Na França era bem forte o grupo Blabla Exchange e eu sei que eles estão em outros países. Inclusive, para quem estiver no Brasil, dar suporte aos estrangeiros aqui pode ser uma boa troca de experiências (infelizmente o Bla Bla Exchange ainda não chegou aqui, mas existem diversos programas de "buddies" universitários).

Outro grupo interessante é o de expatriados no país em que você está. Esse é outro grupo sobre o qual ouço muitas pessoas que mudaram de país falando. Nunca me envolvi muito porque não cheguei a passar mais do que 1 ano em um país estrangeiro e sempre tive algum contato com brasileiros enquanto estive fora. Mas para aqueles que estão sentindo muita falta da nossa cultura, vale a pena conferir.

Nesse momento em que você tem tempo, aproveite os cursos que pode fazer online. Várias plataformas tem cursos grátis - para quem está passando pelo COVID-19, aproveite que todas as plataformas estão numa vibe de cursos grátis. Mas enquanto eu passava pela crise existência do que fazer quando não se tem obrigações haha Eu me inscrevi em dois cursos, um de plantas medicinais do SUS e outro de Google Analytics. Inclusive esse último foi um diferencial quando procurei emprego após retornar ao Brasil.

O que é importante saber nesse momento de isolamento? Crie uma rotina! Sim, a rotina é parte do que nos mantém rodando sem travar e entrar em crise. Pense em quais dias são interessantes para se exercitar, quais são bons para participar de grupos (online ou presenciais, para quem ouvir no pós-COVID), quais dias são bons para um curso, etc.

E se você estiver tendo dificuldade com estar sozinho, pode mandar mensagem no Insta ou no Facebook. Sei como é passar por isso e estou à disposição pra bater um papo.

Até a próxima e boas viagens!

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