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VC#13 Roadschool em tempos de homeschool

Está começando mais um Viagemcast, o podcast de entrevistas e dicas de viagem! Meu nome é Ivie Porto e eu vou compartilhar dessa jornada com vocês.

Hoje nós vamos conversar sobre um tema um pouquinho diferente... Roadschooling! A crise do coronavirus fez com que as famílias tivessem que se adaptar ao homeschool.

Como o roadschool funciona?

As famílias que aderem ao roadschool utilizam das oportunidades de visitarem locais como museus e pontos turísticos para adaptarem o homeschool ao ambiente em que estão. Por exemplo, uma família que está passando a temporada na praia, pode focar o estudo daquela semana nos animais marinhos e no impacto da lua sobre as marés. Outra família que esteja passando pelo Rio de Janeiro, pode aproveitar para estudar sobre o período colonial brasileiro. Ou ainda alguém que esteja em São Paulo, pode aproveitar para estudar sobre a imigração através do Museu da Imigração onde poderá conhecer mais sobre a história da família - inclusive eu já fui lá e retirei certidões da entrada no Brasil da minha família italiana e espanhola.

De onde surgiu meu interesse pelo tema?

Minha mãe sempre foi muito envolvida na minha educação. Ela estudou muito sobre pedagogia quando eu era bebê e sempre tentou me educar na prática e não na teoria. Então ela me deu uma visão diferente do que era aprender. Em algum momento, que não sei dizer qual, descobri que nos EUA, havia a possibilidade de o ensino acompanhar o seu nível de maturidade no assunto, querendo-se adiantar uma disciplina ou aprofundar-se em algo, havia essa possibilidade.

De qualquer forma, isso estava distante da minha realidade e eu não sabia que isso tinha um nome. Em 2014, quando fui para a Hungria, conheci pessoas que havia sido educadas em casa - o famoso homeschool! Achei o conceito interessante, mas ainda assim tinha minhas dúvidas sobre o assunto. Em 2017, quando estava na França, conheci uma família francesa que teve os filhos educados em casa. A partir de então, meu interesse no assunto cresceu e me dediquei a estudar - muito, como meus amigos podem atestar - esse assunto.

Vou resumir aqui o que aprendi nesses últimos três anos e recomendar conteúdos para quem tem interesse no tema.

Quais países autorizam a educação em casa?

Os países que permitem o homeschool hoje são: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Hungria, Iceland, India, Indonésia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Noruega, Peru, Portugal, Rússia, Eslováquia, Eslovênia, Suíça, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos.

No Brasil, ainda está em discussão porque ele nem é permitido nem proibido... Para quem quiser acompanhar o tema, pode seguir a ANED ou o Homeschooling Legal.

Qual o desempenho das crianças educadas em casa em comparação a outras?
Um estudo da HSLDA publicado em 2009, mostrou que em relação ao exame nacional americano, que embora a média do ensino público seja 50% de 100%, a média dos alunos educados em casa varia entre 84% e 89%, dependendo da área de conhecimento em questão. Só para exemplificar, áreas de conhecimento são matemática, estudos sociais, etc.

E a questão do ensino superior dos pais, se eles não tiverem um diploma, isso afeta a educação dos filhos? Filhos de pais sem ensino superior possuem uma média de 83% em contraste com os 50% da média nacional, enquanto crianças que tem um dos pais com ensino superior obtiveram 86% e, as que tiveram ambos os pais com formação universitária, obtiveram 90%. Dá pra ver que tem um impacto, mas com certeza é bem melhor que o ensino público americano.

A renda familiar também tem um impacto menor na educação. Crianças educadas em casas de famílias com baixa renda pontuam cerca de 85%, enquanto crianças de famílias de alta renda pontuam 89%

Essas estatísticas reforçam o estudo da mesma instituição publicado em 1997.

Qual a postura das universidades com relação a isso?

Como a situação do homeschool no Brasil ainda está sendo discutida - e a nossa entrada nas universidades depende de um vestibular e não de uma análise curricular qualitativa, como é nos EUA - vou focar na postura das faculdades americanas melhor rankeadas.

Harvard

Harvard, assim como as outras escolas da Ivy League, aceitam alunos educados em casa. Alguns exemplos que saíram na mídia são Olivia Farrar, Claire Sukumar e Kemen Linsuain, alunos de Harvard como você pode conferir aqui. Ou ainda Claire Dickson, que apareceu em uma notícia da Business Insider, sob o título de "There's a new path to Harvard and it's not in a classroom" (Há um novo caminho para Harvard e ele não está em uma sala de aula".

MIT

O MIT tem uma página dedicada só para explicar como alunos educados em casa podem se destacar e ser aceitos na universidade. Há inclusive uma matéria no site do MIT sobre um menino indiano educado em casa que foi aceito na universidade aos 15 anos de idade.

Stanford

Assim como o MIT, Stanford possui uma página dedicada a alunos de homeschool que queiram se candidatar a estudar lá, sendo que na Stanford Magazine também há um artigo sobre um aluno educado em casa que entrou lá, sendo que no ano dele 9 alunos foram aceitos - isso nos anos 2000, porque, né? Essa discussão sobre homeschool por lá ocorreu há muito tempo... E o artigo reforça o diferencial que a educação domiciliar é.

Mas quais os métodos de educação domiciliar?

Escuto diversos podcasts sobre homeschool, como, por exemplo, The Homeschool Highschool Podcast e FPEA Connects e as metodologias que mais escuto falar são a metodologia Clássica, Charlotte Mason e Unit Studies.

Metodologia Clássica


Vamos lá, o que é a metodologia clássica? A metodologia clássica foca em ensinar a aprender. Ela assume que ninguém vai aprender sobre todo o conhecimento que há no mundo, mas se você souber como aprender sobre um assunto, poderá se aprofundar e perseguir seus estudos independente de um tutor. Nos EUA, como a educação básica é divida em 12 anos escolares, eles aplicam o conceito de trivium a cada 4 anos de estudo. Os primeiros quatro anos são focados na gramática e no conhecimento do mundo. O segundo grupo de quatro anos é focado na dialética e na organização das ideias. Os últimos quatro anos são dedicados à retórica, a construção e argumentação em prol de suas próprias ideias.

A cada grupo de quatro anos, os alunos passam por toda a história desde os primórdios até hoje, estudando como cada período literário, científico e etc. se relaciona com aquela fase da história. Desse modo, as conexões entre o período e a descoberta são mais facilmente relacionadas. Além disso, os alunos encontram livros como Ilíada em versões adaptadas quando são mais novos, já conhecendo as histórias quando os releem em anos futuros.

Se quiser saber mais leia o livro The Well Trained Mind ou acesse os conteúdos do Circe Institute.

Charlotte Mason

Charlotte Mason foi uma educadora inglesa, nascida em 1842 e que seguiu a carreira de professora durante muitos anos de sua vida. Ela publicou diversos livros didáticos, como também diversos volumes para auxiliar pais na educação domiciliar de seus filhos - sendo que sua educação foi em grande parte feita pelos seus próprios pais.

Mason acreditava que a educação de uma criança não consistia apenas no ensino intelectual, mas deveria compreender o todo de um ser humano. Em suas palavras e tradução livre, "educação é uma Atmosfera, uma Disciplina, uma Vida". Seus métodos de ensino consistiam no uso do que em Inglês se chama "living books" ao invés de livros-texto. Living books são livros narrativos escritos por autores que tem verdadeiro interesse no assunto sobre o qual escrevem. Essas leituras são frequentemente narradas oralmente e posteriormente de maneira escrita pelos alunos.

Seu currículo também era muito focado na observação da natureza e convivência fora das "quatro paredes". Seus alunos eram expostos a diversos temas, desde Shakespeare até algebra, canto e jardinagem.

Saiba mais em Simply Charlotte Mason e Charlotte Mason Brasil.

Unit Studies

Os Unit Studies, ou em tradução-livre, estudos de unidades correspondem a quando um tema é utilizado como base no estudo das diversas disciplinas. Por exemplo, um aluno interessado em futebol, pode usar esse tema como base para estudar história e matemática, por exemplo. Poderia estudar quando surgiu o futebol, quais eram as regras, qual seu impacto na política, como o chute em cada ângulo produz uma curva diferente e qual o impacto da resistência em um chute a gol.

Embora esse método exija um pouco mais de esforço, ao que me parece, é possível encontrar materiais que já possuam essa abordagem, como o livro Five In a Row que apresenta uma história infantil a ser lida repetidamente cada dia da semana, sendo que em cada dia é feita uma atividade em uma área de conhecimento relativa à história. Exemplo, no dia um, a história é usada como base para uma atividade culinária. No dia dois, é a base para se estudar os números e assim por diante.

Onde aprender mais sobre roadschool e homeschool?

Recomendo os podcasts:
- Road School Moms
- FPEA Connects
- The Homeschool Highschool Podcast
- Homeschooling with Technology

YouTubers:
- Rooted in Rest
- Erica Arndt

Sites:
- The Homeschool Mom
- The HomeScholar

Curriculum

Alguns materiais para conferir (os destacados são os mais famosos):
- Abeka
- All about reading
- Apologia
- BJU Press
- Brain Quest
- Calvert
- Clonlara (material completo em português)
- Delightful Handwriting
- Dinah Zike's Science Unit Studies
- Eagle's Wings
- Evan Moor
- Five in a Row
- Growing with Grammar
- Horizons Math
- Institute for Excellence in Writing
- Kay Arthur Inductive Studies
- Kumon Dollars & Cents
- Life of Fred
- Math U See
- My Father's World
- Singapore Math
- Spelling You See
- Spelling Wisdom
- Teaching Textbooks
- The Mistery of History
- The Story of the World
- World's Greatest Artists
- World's greatest Composers
- Yellow Spot: Sun

Até a próxima, boas viagens e bons estudos!

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