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VC#36 Dois anos trabalhando na Colômbia

A entrevistada de hoje foi a Natalia Mauadie, formada em Farmácia pela USP, ela trabalhava na Takeda aqui no Brasil, quando surgiu o convite para que ela fosse para a Colômbia estruturar a área de farmacovigilância. Ela super topou o desafio e a empresa começou a preparar os trâmites para que ela fosse demitida aqui no Brasil e admitida na Colômbia. Demitir? Sim, não foi um processo de expatriação, onde ela continuava sendo funcionária da Takeda Brasil, mas sim um processo de se tornar uma contratada colombiana. A ida para lá foi organizada pela empresa aqui, sendo que eles pagaram uma pré-visita para que ela visitasse o país e confirmasse que estava disposta a se mudar para lá.

A empresa providenciou tudo o que era necessário para essa transição, então os documentos logo saíram e ela se mudou para Bogotá. Ao chegar lá, a Takeda havia contratado um motorista para buscá-la no aeroporto e levá-la a um hotel elegantíssimo pelo que ela contou. Ela disse que até ligou para sua ex-chefe e, já que elas eram muito amigas, disse que achava que a tinham confundido com o presidente da Takeda Colômbia. Brincadeiras à parte, iniciou então o processo de encontrar uma casa em Bogotá.

Moradia

Embora o RH da empresa houvesse selecionado algumas casas para que ela visitasse, ela achou todas muito caras, e pediu para conhecer outras mais em conta. Eles recomendaram os sites Finca Raíz e Metrocuadrado. Importante comentar aqui sobre como funcionam os estratos na Colômbia.

Estratos

Na Colômbia, como uma medida para reduzir a pobreza, os municípios dividem as regiões em 6 segmentos, onde os segmentos 1 a 3 são os "menos favorecidos", ou seja, o bairro tem pior aparência, as estradas e ruas não são tão boas e há pouco acesso a serviços públicos, enquanto o estrato 4 é a média e os estratos 5 e 6 a "classe alta". Com base nesse sistema, as taxas são subsidiadas nos extratos 1 a 3, enquanto o estrato 4 paga o valor real das taxas e os estratos 5 a 6 remuneram o subsídio das "classes baixas". É importante ressaltar que essa segmentação não avalia renda.

Mudando de casa


A Natalia começou morando numa casa que estava bem detonada. A experiência não foi boa, cada hora quebrava uma coisa e a dona não era tão legal. Inclusive ela vendeu a casa e quebrou o contrato, o que foi a deixa para que a Nati se mudasse. Ela encontrou então um apartamento para dividir com sua prima que estava indo para lá para trabalhar também. Esse apartamento era exatamente o que elas queriam e de quebra chegou mais uma menina, uma carioca que encontrou-as por meio da APMT, já que ela era presbiteriana também. A experiência de morar juntas, bem como o apartamento foram o ponto alto no quesito moradia. Elas estavam no estrato 4 e aproveitando bem do local. Após a partida da carioca chamada Isabela, a prima da Nati conseguiu um emprego no extrato 6, na mesma época em que o escritório da Takeda se mudava para o mesmo estrato. Por causa da distância geográfica entre os estratos, elas optaram para se mudar para o estrato 5, que não propiciou uma estadia tão boa. O apartamento era muito grande para os poucos móveis que tinham, além de os demais condôminos serem bem chatinhos - durante a quarentena elas sequer podiam receber prestadores de serviço para, por exemplo, arrumar a máquina de lavar que estava quebrada.

Trabalho

Supreendentemente a Nati falou que os colombianos tratam brasileiros como os brasileiros tratam estrangeiros. Ou seja, amam estrangeiros! Além disso, eles achavam que ela estava indo lá para "por as coisas no lugar". A Nati contou que trabalhou muito para que eles tivessem uma boa imagem dela e da área e que o fato de ser "a brasileira" do escritório lhe deu a oportunidade de almoçar com todos de lá, desde o presidente até as áreas com menos contato com a sua. Eles também acharam chocante que ela usava GIFs nas apresentações para a área comercial toda, por exemplo. Aliás, ela os achou bem mais formais do que nós, extremamente educados e cordiais não só no trabalho, mas no turismo e demais âmbitos.

Alimentação

A Nati quis fazer um tour gourmet e comeu de tudo. De tudo mesmo, até aqueles pratos que vendem na rua, tipo a 25 de março, e temos medo de dar um revertério. Hábitos por lá: comer abacaxi com arroz e feijão, comer guacamole e banana da terra frita (que eu amoo, e é típica do Norte brasileiro também). Além disso, ela falou que na rua você encontra barraquinhas que vendem salada de frutas com iogurte ou simples barracas de suco.

Dicas práticas

A burocracia é bem grande! Abrir uma conta no banco é dificílimo, sendo que ela só conseguiu porque tinha uma carta da empresa solicitando uma conta-salário para ela. Obter um cartão de crédito, ela nem conseguiu porque não tinha ainda um "score" no país. Ela não recomenda que se troque dinheiro nas casas de câmbio do aeroporto, mas sim nos shoppings ou no centro da cidade. Ela também disse que eles super entendem o portunhol.

Pense em comprar uma bike por lá porque a cidade é repleta de ciclovias e eles amam esportes - e acordar cedo, cerca de 5am.

Igreja

A Nati fez um tour de igrejas por lá, desde Prebiterianas Tradicionais, a Assembléias de Deus, Hillsong e Presbiterianas Renovadas. A última que ela frequentou foi a Confraternidad. Os amigos foram inúmeros e os eventos dos quais participou também. Antes de ela ir para a Colômbia ela contatou a Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, que a colocou em contato com um missionário por lá e a ajudou a se integrar na igreja logo de chegada ao país. Como sempre, a parte mais legal foi ver que somos todos irmãos apesar de vivermos em culturas diferentes.

E depois?

Essa oportunidade na Colômbia de duração máxima definida (2 anos) a permitiu assumir uma posição na Takeda Global, onde ela trabalha com representantes do mundo todo na área de auditoria. Inclusive a primeira auditoria dela foi com o Cazaquistão, onde ela trabalhou das 2am às 6am. O legal é que a Takeda tem horário bem flexível, então ela pode conciliar exercícios e atividades com o seu horário de trabalho, além de ter contato com diversas nacionalidades. E você, por que não se candidata a uma posição em outro país? Você nunca sabe onde isso vai te levar! Se quiser conhecer outra experiência assim, escute o episódio 30 com o Estevam Machado, que foi pelo Nubank trabalhar no México.

Até a próxima e boas viagens!

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